A dispersão gera-se com a aceitação de inúmeros possíveis em prol de um futuro e eventual verdadeiro. Quer isto dizer que, aceitando aquilo que não contribui directamente para o sonho, se está implicitamente a abdicar do sonho.Não é possível estar em dois lados ao mesmo tempo.
Escolher algo que talvez venha a ser interessante é ocupar a atenção que poderia estar disponível para encontrar aquilo que é desde sempre verdadeiro.Se, por falta de se encontrar o sonho, se for escolhendo outras coisas que não têm a mesma verdade, o tempo fará o resto e a pessoa ver-se-á envolvida em tantas coisas que não permitem o seu sonho que acabará por ter de abdicar dele.Esta é a primeira grande verdade sobre a possibilidade.
quinta-feira, abril 19, 2007
MPPS: primeira grande verdade
História do Movimento pela Possibilidade do Sonho (MPPS)
O Movimento pela Possibilidade do Sonho surgiu em Cracóvia, em 1954, fundado por um grupo de influências diversas entre as quais se impunham Heidegger e Malinovski. Consequentemente, desde o início que é um movimento pela aceitação do outro e pela existência genuína. A atmosfera gerada pela conjuntura do pós-guerra e pelo regime comunista da Polónia enquadrava a aspiração por um mundo melhor.
A negação como atitude é característica do Movimento pela Possibilidade do Sonho. Esta atitude traduz-se no apelo a todos para que militem em prol da possibilidade do sonho, negando e recusando tudo o que não for a favor dos sonhos, por ser implicitamente contra eles. A negação como atitude é a expressão concreta deste ideal.
A possibilidade do sonho é vista como a pedra angular para a construção de um mundo onde as pessoas sejam mais felizes e, acalmadas as suas angústias, menos destrutivas e agressivas. Juntamente com o relaxamento mental por meio da meditação, reflexão ou introspecção, é vista como o caminho para a paz no mundo.
A nível individual, permite construir pessoas sólidas e que se sentem bem consigo próprias, porque nunca abdicaram dos seus sonhos. É preciso sublinhar aqui que o movimento se destina a gente de todos os níveis sócio-económicos, porque se foca nas escolhas que as pessoas fazem e não nas que são feitas por elas. Assim sendo, alguém que apenas dispõe do tempo entre o jantar e o sono e apenas então pode escolher seja o que for, é nesse momento que deve exercer a negação e a recusa de tudo o que for contra as suas aspirações.
É preciso recusar os lenitivos, tudo o que se destina a adormecer a mente e fazer esquecer as preocupações, quando eles eliminam a possibilidade de escolher.
terça-feira, março 27, 2007
terça-feira, dezembro 19, 2006
Delírio outonal

Lembro-me sempre da primeira vez que percebi que as pessoas se escondem por detrás das palavras. Então com a religião é demais! Como os textos religiosos são sempre ambíguos, são perfeitos para serem usados como justificação para qualquer fim.
As palavras de Cristo que aparecem na Bíblia são muito simples e sem artifício, mesmo as parábolas são claras, e há 2000 anos que são usadas para dizer tudo menos aquilo que dizem: estamos todos no mesmo barco, é preciso haver amor.
As palavras de Buda sofrem um destino semelhante, basta pensar em quantos budistas não vêem Buda como o seu «Deus»! Buda dizia que todos nós somos potenciais budas. Recusava a ilusão e abraçava a verdadeira natureza das coisas, buscando o despertar da mente, que nos dizem ter alcançado.
Não interessa quais são as palavras, posso sempre usá-las para dizer outra coisa.
Quando a vela explode uma faísca no interior do cilindro e o fluido violento se aproxima dela, então, meu amor, tu sopras o teu beijo suave e o espasmo do pistão faz-se movimento, e o corpo pesado é lançado pelo espaço, e tudo volta ao princípio.
Na decomposição do conteúdo dos sacos pretos, no coração da lixeira, o voo das gaivotas faz-se um só grito. O sol encoberto de fumo e fedor, os sacos que se derramam pelo chão de lixo e exalam as suas entranhas fétidos, tudo conspira para a harmonia do todo.
E os camiões chegam sem cessar, trazendo a matéria-prima do cosmos no seu interior.
E o teu ventre puro, mãe, desfaz amorosamente todo aquele horror e fá-lo cada vez mais pequeno, até que tudo se liberte em vida luminosa.
E quando o meu cadáver ainda fresco cai pesadamente sobre o lixo, sinto o teu abraço quente que me desfaz em pequenos nadas, como se me pousasses a mão sobre a testa febril.
E sou amorosamente fundido com o lixo e com a terra, e regresso a casa.
terça-feira, novembro 21, 2006
Neptuno
