«No vazio, não há forma, não há emoção, não há pensamento nem consciência;
não há olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo ou mente;
não há sentidos, nem objectos de forma corpórea, som, cheiro, sabor ou coisas tácteis;
nada que se veja, e daí em diante, até não haver cognição mental
nem ignorância, nem extinção da ignorância, até não haver envelhecimento e morte
nem extinção do envelhecimento e morte
não há sofrimento, origem, cessação ou caminho
não há conhecimento superior, atingir a libertação ou não atingir a libertação
assim, por causa desse não atingir, o bodhisattva
foi, foi, foi completamente, foi completa e absolutamente para a luz.»
Adaptação do Prajnaparamita Hridaya Sutra
quarta-feira, maio 28, 2008
Tetralema
Ou isto é ilusão
Ou isto não é ilusão
Ou isto é ilusão e não é ilusão em simultâneo
Ou nem isto é ilusão nem deixa de ser ilusão em simultâneo
Ou isto não é ilusão
Ou isto é ilusão e não é ilusão em simultâneo
Ou nem isto é ilusão nem deixa de ser ilusão em simultâneo
quarta-feira, abril 30, 2008
A esmeralda de Satanael
Satanael, de Satan "o acusador" e El "Deus", é o acusador ou o opositor de Deus. A lenda diz que a criatura usava uma coroa que tinha uma bela esmeralda ao centro. Um dia, ao ver que a esmeralda caía dos céus, precipitou-se atrás dela para nunca mais voltar.
A esmeralda, caída na terra, teria dado origem a um cálice. Quem bebesse desse cálice ficaria de imediato iluminado pela sabedoria divina.
Assim, a esmeralda é o símbolo da Gnose, isto é, da sabedoria divina que nos aproximará de Deus, que foi o que Satanael perdeu. O cálice que dá a sabedoria divina é conhecido como Graal.
A ligação do cálice a Cristo é imediata: também Cristo dava a sabedoria divina a quem bebesse as suas palavras. O acto simbólico de José de Arimateia lhe dar a beber a ele, Filho de Deus, do cálice da sabedoria divina pouco antes da sua morte, é um acto de transferência. É como se esse último beijo de Cristo impregnasse o cálice de toda a sabedoria que o animava.
Não é de estranhar que Cristo seja chamado de lapis ou "pedra" nas encantações dos alquimistas, pois "visita o interior da terra e rectificando-te encontrarás a pedra oculta" (Visita Interiorem Terrae Rectificandoque Invenies Ocultum Lapidem. Isto significa que temos procurar nas profundezas, por entre o conhecimento grosseiro da matéria, ao mesmo tempo que nos vamos purificando e melhorando, para que possamos encontrar a pedra oculta, Cristo, a sabedoria divina, o amor do Pai ou a Luz que perdemos na hipóstase de Sophia... Tal como os Titãs ou os Anjos Caídos...
Procurar a esmeralda de Satanael não é fazer um pacto com o diabo, é procurar aquilo que a lenda diz que ele perdeu: o caminho.
A esmeralda, caída na terra, teria dado origem a um cálice. Quem bebesse desse cálice ficaria de imediato iluminado pela sabedoria divina.
Assim, a esmeralda é o símbolo da Gnose, isto é, da sabedoria divina que nos aproximará de Deus, que foi o que Satanael perdeu. O cálice que dá a sabedoria divina é conhecido como Graal.
A ligação do cálice a Cristo é imediata: também Cristo dava a sabedoria divina a quem bebesse as suas palavras. O acto simbólico de José de Arimateia lhe dar a beber a ele, Filho de Deus, do cálice da sabedoria divina pouco antes da sua morte, é um acto de transferência. É como se esse último beijo de Cristo impregnasse o cálice de toda a sabedoria que o animava.
Não é de estranhar que Cristo seja chamado de lapis ou "pedra" nas encantações dos alquimistas, pois "visita o interior da terra e rectificando-te encontrarás a pedra oculta" (Visita Interiorem Terrae Rectificandoque Invenies Ocultum Lapidem. Isto significa que temos procurar nas profundezas, por entre o conhecimento grosseiro da matéria, ao mesmo tempo que nos vamos purificando e melhorando, para que possamos encontrar a pedra oculta, Cristo, a sabedoria divina, o amor do Pai ou a Luz que perdemos na hipóstase de Sophia... Tal como os Titãs ou os Anjos Caídos...
Procurar a esmeralda de Satanael não é fazer um pacto com o diabo, é procurar aquilo que a lenda diz que ele perdeu: o caminho.
sábado, março 22, 2008
Instinto animal
O medo de ver assim, tão de perto, um leão a rugir, deu lugar à observação de que o leão não me estava a ameaçar. Na realidade, tinha um espinho cravado numa das patas da frente, que lambia com um ar furioso e sofrido.
Conhecendo o cliché, pensei de imediato nas vantagens que haveria em retirar esse espinho e ficar com um amigo leão. No entanto, não fazia a menor tenção de me aproximar daquela fera!
Resignado, o leão soltou um lamento rugido que me comoveu. Pobre criatura! Tão poderoso que era e não conseguia livrar-se de um espinho oportunista.
Cheio de compaixão, aproximei-me muito devagar. O leão pareceu perceber a minha intenção e nem se mexeu, nem sequer olhou para mim. Visto de perto, o espinho estava cravado entre duas garras do leão. Num gesto rápido e decisivo, arranquei-o com força. O leão soltou um rugido que fez estremecer o chão e me deixou quase surdo.
Caí para trás e pensei: que fui fazer? O leão aproximou-se lentamente de mim, com um ar desinteressado. Levantou a outra pata e empurrou-me um pouco. Quando o vi a abrir a bocarra pensei: não o posso levar a mal, afinal de contas é esta a sua natureza...
Ao perder a consciência vi nos olhos da fera o olhar sincero do instinto animal.
Conhecendo o cliché, pensei de imediato nas vantagens que haveria em retirar esse espinho e ficar com um amigo leão. No entanto, não fazia a menor tenção de me aproximar daquela fera!
Resignado, o leão soltou um lamento rugido que me comoveu. Pobre criatura! Tão poderoso que era e não conseguia livrar-se de um espinho oportunista.
Cheio de compaixão, aproximei-me muito devagar. O leão pareceu perceber a minha intenção e nem se mexeu, nem sequer olhou para mim. Visto de perto, o espinho estava cravado entre duas garras do leão. Num gesto rápido e decisivo, arranquei-o com força. O leão soltou um rugido que fez estremecer o chão e me deixou quase surdo.
Caí para trás e pensei: que fui fazer? O leão aproximou-se lentamente de mim, com um ar desinteressado. Levantou a outra pata e empurrou-me um pouco. Quando o vi a abrir a bocarra pensei: não o posso levar a mal, afinal de contas é esta a sua natureza...
Ao perder a consciência vi nos olhos da fera o olhar sincero do instinto animal.
segunda-feira, novembro 12, 2007
Van den Budenmayer (Preisner)
Que pena que não se possa voltar a ouvir uma música pela primeira vez...
O voi che siete in piccioletta barca,
desiderosi d'ascoltar, seguiti
dietro al mio legno che cantando varca,
tornate a riveder li vostri liti:
non vi mettete in pelago, ché forse,
perdendo me, rimarreste smarriti.
L'acqua ch'io prendo già mai non si corse;
Minerva spira, e conducemi Appollo,
e nove Muse mi dimostran l'Orse.
(Ó vós que estais numa barca tão pequena,
desejosos de escutar, seguindo
atrás da minha pequena barca que avança a cantar,
regressai às vossas costas:
evitai o perigo, pois seguramente,
se me perdêsseis ficaríeis à deriva.
A água que atravesso nunca foi cruzada
Minerva sopra e conduz-me Apolo
e nove Musas indicam-me a Ursa.)
inDante, Paradiso
Subscrever:
Mensagens (Atom)